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Dramas de uma paranóica

Dramas de uma paranóica

07
Nov20

Do confinamento voluntário

Uma paranóica

Em Março, quando a pandemia realmente bateu, aderi muito facilmente ao confinamento voluntário. Introvertida sempre fui, caseira ainda mais, e por muito que me fosse custar perder todo o elemento social que associava ao meu trabalho, tive sorte em poder dizer que o confinamento não me afectou tanto quanto afectou pessoas que realmente sofrem com a falta de interacção.

Claro que tinha uma facilidade: dividia casa com um amigo (esta história acabou muito mal, mas fica para outro post) e tinha a sorte de morar na mesma cidade que a minha família, portanto falava com eles muitas vezes pela janela do meu quarto (morava num rés-do-chão).

Quando o desconfinamento começou, resisti. Achei que era cedo demais, via toda a gente a agir com toda uma naturalidade que, para mim, já era estranha. Era como se estivéssemos a fazer a nossa vida normal, mas com uma máscara.

Uns meses depois, já aderi obviamente ao desconfinamento mas mantendo sempre todas as regras de higiene e segurança e, agora que moro sozinha (vá, com 2 gatos), estou num trabalho novo (semi, já passaram 5 meses) e vem aí novo estado de emergência, confesso que estou a ter alguma dificuldade a adaptar-me a novo isolamento.

Ora bem: eu passei o fim-de-semana passado com uma das minhas melhores amigas que não via desde Agosto. Estávamos descansadas, afinal tínhamos andado sempre a cumprir tudo certinho, mas no último dia em que estivemos juntas ela descobriu que uma rapariga do trabalho dela com quem ela tinha tido contacto testou positivo para o vírus.

Isto significa que, desde terça à noite, que estou em isolamento voluntário (porque, na verdade, não precisava de o fazer e poderia prosseguir com a minha vida normal) enquanto espero pelo resultado do teste dela. Só se passaram uns míseros 3 dias mas está-me a afectar mais do que estava à espera. Sinto-me sozinha, frustrada, nem uma corrida posso ir dar, não posso ir ao supermercado, nada. Estou ansiosa pelo resultado, ansiosa por quem possamos ter infectado sem saber e, estupidamente, ansiosa pelo novo estado de emergência que aí vem e as medidas que possam eventualmente vir a ser aplicadas.

Ok, vou ser sincera: é que em plena pandemia eu conheci uma pessoa. Não moramos, nem de perto nem de longe, no mesmo concelho, tivemos uns 4 (ou 5? não sei já) dates, não aconteceu nada e, agora que ia finalmente acontecer (confiem, ia mesmo ok?), ele está doente (não, não é Covid), eu estou a isolar-me, e vai entrar novo estado de emergência portanto sei lá quando o volto a ver.

Uma vozinha na minha cabeça diz-me que vamos só acabar por nos esquecer um do outro, não vamos querer esperar um pelo outro - não é que haja muito mais hipótese de conhecer outras pessoas, mas a paranóica ansiosa não é racional - e, acima de tudo, eles acabam sempre por perder interesse, não é? O que é que me faz achar que ele pode ser diferente?

Este post foi ligeiramente mais dramático do que eu estava à espera mas a vida às vezes é assim - às vezes simplesmente não conseguimos fingir que estamos bem quando não estamos.

05
Nov20

Quem é uma paranóica?

Uma paranóica

Sempre tive blogs. Desde que me lembro de ser autónoma e de, pronto, existir a Internet, que sempre sempre sempre tive um blog. Aliás, vamos voltar um pouco atrás. O que eu sempre gostei foi de escrever. Sim, a paranóica de há uns bons 10 (ou mais, até) anos atrás gostava mesmo era de escrever e entreteve, em tempos muito idos, a ideia - o sonho - de um dia ser escritora, tal J. K. Rowling do mundo moderno.

Mas enfim, a vida não acontece da forma que o nosso eu de 10, 12, 15, 17? anos idealiza. Não, a paranóica cresceu, foi estudar Direito, e depois de ter uma licenciatura e uma pós-graduação "debaixo do cinto" e enquanto supostamente escrevia a sua tese de mestrado, revoltou-se e foi trabalhar para uma start up porque queria uma coisa "mais dinâmica". "Logo volto ao Direito e acabo a tese," disse ela. Mas nunca voltou.

Eu sou uma paranóica e este é o meu blog.

Tenho 27 anos, moro na famosa Margem Sul e, como (quase) toda a gente deste mundo, estou em isolamento. Não é que me chateie - sou uma pessoa super introvertida e qualquer desculpa para estar enfiada em casa a ver séries ou a jogar é tão boa como qualquer outra. 

Mas enfim, é como se diz: "não mata mas mói", e estando já desde Março a trabalhar a partir de casa, a viver completamente sozinha (vá, tenho dois gatos) e longe (salvo seja) da maior parte das minhas amizades, a iminência de um novo estado de emergência e novo isolamento começa-me a incomodar. Portanto... decidi escrever.

Ok, na verdade eu já tinha criado outro blog há poucos meses e escrevi lá tudo sobre os meus 30 dias de yoga e isto e aquilo mas não era divertido, por isso apaguei-o.

Pensei em voltar a fazer outro blog, queria muito escrever o que me passava pela cabeça, mas simplesmente nunca aconteceu. Entretanto vi-me no meio de um dilema que me deu o empurrão final: a pessoa com quem ando a sair (meh, ando... mais ou menos, vá) segue-me no Twitter. No Twitter!!

Para esclarecer: o Twitter para mim é aquela rede social em que eu digo tudo e mais alguma coisa porque praticamente ninguém da "vida real" me segue lá e tem Twitter. Imaginem quando queria mandar bitaites sobre os nossos dates e pensava "ai espera lá que ele assim vai ver" e comecei a sentir-me..... inibida, vá.

Portanto, criei um blog.

Caso o meu nome não seja elucidativo o suficiente, eu sou muito dramática e muito paranóica. Se uma pessoa me diz "bom dia" mas diz de uma maneira diferente eu já estou a pensar em 1500 cenários na minha cabeça e 7553 cenas à filme. São coisas tão, mas tão parvas, que eu sinceramente preciso de as escrever nalgum lado antes que dê em doida. So here we are!

Agora aguentem-me.

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