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Dramas de uma paranóica

Dramas de uma paranóica

22
Jan21

Querido avô

Uma paranóica

Querido avô,

Há uns tempos perguntaram-me o que fazia quando estava triste e, para mim, a resposta era mais que óbvia. Acho que se calhar nunca estive verdadeiramente triste, porque tenho tentado de tudo e mesmo assim sinto que a minha vida não tem cor. Ainda não acredito que partiste.

Sempre que penso nisso, sinto um aperto no meu coração como nunca senti antes. Desculpa. Desculpa por não ter ligado antes, mas espero que saibas o quanto gosto de ti. Gosto, porque sempre vou gostar, mesmo que já não estejas aqui.

Não acredito que não estás mesmo aqui.

Eu sei, no fundo, que foi pelo melhor. Estavas a sofrer e mesmo que tivesses alta quem sabe qual seria a tua qualidade de vida a partir dali? Mas por outro lado, naquela parte muito egoísta que guardo só para mim, gostava que ainda aqui estivesses.

Tu sabes, não sabes? Sabes tudo o que quero dizer mas não consigo.

Tenho saudades tuas.

15
Jan21

Da desgraça que só toca aos outros

Uma paranóica

Parece sempre que só toca aos outros, até nos tocar a nós.

Até agora tive a sorte imensurável de não ter um amigo ou um familiar, alguém próximo, com Covid. Aliás, mesmo nos casos de pessoas próximas de amigos ou familiares meus, nunca foi nada grave. Até hoje, claro.

Hoje recebi a notícia que os meus avós, de 79 anos, têm muito provavelmente Covid (pelo menos têm todos os sintomas) e, inclusive, estão neste momento no hospital, sendo que o meu avô está internado já num estado mais avançado. A minha avó está sozinha à espera, sem saber de nada. A cadela deles está sozinha em casa.

Não tenho palavras, só tenho mesmo lágrimas e um aperto gigante no peito. Não sei o que fazer.

Posso só dormir e fingir que não existo e nada disto é real?

06
Jan21

Updates amorosos (sim, eles existem)

Uma paranóica

Bem, depois do meu último post mega dramático e introspectivo, decidi que ia voltar a escrever neste blog sobre o motivo pelo qual o criei: para falar da minha vida (pouco) amorosa à vontade.

Olhem malta, é assim, eu tenho 27 anos mas às vezes mais parece que tenho 17, e passo a explicar: eu não sei se isto é da pandemia porque pronto, conhecer pessoas assim de forma natural agora é impossível, ou se isto é mesmo uma coisa minha, mas eu conheci outra pessoa.

Hahahahaha eu sei, eu sei. Mas calma, desta vez não foi no Tinder (vá lá!). Não, foi mesmo no Twitter.......

É assim, eu já tenho a minha conta do Twitter há 1500 anos e há pessoas que eu sigo e que me seguem de volta que eu já nem sei bem há quanto tempo é que isso foi. E é esse mesmo o caso do....... vamos-lhe chamar Bruno, pode ser?

Ora, eu e o Bruno já nos seguimos há imenso tempo e sempre fomos tendo interacções aqui e ali. Aliás, seguimo-nos há tanto tempo que ele e o meu ex-namorado de há, sei lá, 3 anos? também se seguem e interagem com regularidade (enfim, isto são mesmo 1st world problems e das coisas mais banais hoje em dia).

Portanto eu na verdade não sei bem quando é que começámos a interagir mais, mas sei que aconteceu e que foi quando ainda andava nos meus momentos "vai, não vai" com o ........ caraças, nunca lhe dei nome pois não? com o Bernardo; pronto, com o Bernardo.

Ora, desde que eu perdi o meu interesse pelo Bernardo que decidi começar a brincar um bocadinho com o fogo (e lembro-me de já ter referido isso aqui) e decidi começar a lançar a minha rede ao Bruno apesar de ter zero intenções que isso fosse onde quer que fosse. Queria-me divertir, vocês percebem, não é?

O que é que aconteceu? Paranóica e Bruno trocam inúmeras mensagens, trocam números, inclusive fazem uma chamada de voz porque Paranóica joga o mesmo jogo (calma, é mesmo um jogo!) que Bruno e querem jogar juntos online, e no dia a seguir Bruno convida Paranóica para irem "fazer qualquer coisa" durante esta semana (porque a Paranóica está de férias e isso não acontece muitas vezes).

Portanto é isso! Tenho um date com uma pessoa com quem comecei a falar para passar o tempoe com quem tenho jogos em comum. Jogos, ok?

E bom, é isto que eu ando a fazer da minha vida, e vocês? Tudo em cima?

05
Jan21

Das férias que já sabem a pouco

Uma paranóica

Nunca mais aqui escrevi e, para dizer a verdade, pouco me lembrei que tinha um blog. De vez em quando recebia um email ou outro da Sapo e lembrava-me e pensava "!! tenho tanto para escrever" mas lá a vida me dava outra volta e voltava ao ritmo habitual de encher tanto a cabeça com trabalho que me esquecia que há toda uma vida para além disso.

Basicamente o meu mês de Dezembro pode-se resumir a isso: trabalho. Dezembro significou férias para muita gente, incluindo a maior parte da equipa que giro e outros stakeholders de quem o meu trabalho depende, mas para mim não; não tenho por hábito tirar férias na altura do Natal e Ano Novo porque 1) não me importo nada de trabalhar e 2) geralmente é uma altura mais calma, portanto nem pensei nisso. No entanto, tirei umas férias MUITO necessárias agora nesta primeira semana de Janeiro e, devo dizer, que saber que volto ao trabalho no domingo à noite me está a deixar um sabor meio amargo na boca. Quem me dera ter tirado mais uma semana!

Em todo o caso, Dezembro foi um mês meio estranho:

- apesar de todas as previsões apontarem para um mês calmíssimo (que chegou a ser, atenção! até deixar de ser), existiram tantos imprevistos a nível de logística e produção que tivemos mais do dobro de clientes a interagirem connosco. Isto não seria problema se não tivéssemos aprovado férias a tanta gente baseado, lá está, nessa previsão

- tenho um chefe novo! É chefe da minha chefe mas é uma camada hierárquica que não estava ali antes e com a qual fui obrigada a trabalhar durante duas semanas (em que estive no turno de dia). Conclusão? Para já não posso dizer que goste dele e chegámos a ter uma valente discussão, o que não sei se foi a melhor ideia (foi no meu último dia de trabalho... espero ter trabalho quando voltar de férias?)

- apaguei a minha vida amorosa. Ok, isto parece estranho, mas o que quero dizer é que aquela pessoa com quem andava a sair, etc e tal? Depois de ficar muito na dúvida sobre se tinha perdido o interesse não, percebi definitivamente que tinha perdido o interesse (e penso que tenha sido mútuo, mas também se pode dar o caso de ter partido o coração ao pobre rapaz e não saber) e afastámo-nos. Não falamos há umas duas semanas e estou muito bem assim

- sinto-me estranha no meu grupo de amigas. Somos amigas há anos, já tivemos muitas discussões, muitos momentos assim e assim, mas sempre tudo muito passageiro, e não é que se tenha passado alguma coisa mas simplesmente não tenho vontade de falar com elas. É estranho, não é?

Começou quando fomos todas almoçar no início de Dezembro e uma delas presumiu que eu passo muito tempo acompanhada (com a minha família), e ficou muito surpreendida quando lhe disse que não, eu passo MUITO tempo sozinha.

Apercebi-me que elas não sabem muito da minha vida (ultimamente claro, porque já me conhecem quase a vida toda) e também não perguntam assim tanto? Como sou aquela pessoa que trabalha imenso e está sempre bem já nunca me perguntam se estou bem ou não e isso tem-me deixado um bocadinho sentida. Por isso tenho-me afastado um pouco, o que reconheço que talvez não melhore a minha saúde mental, mas sinceramente perdi mesmo a vontade.

Tudo isto me leva a chegar à conclusão de que não estou mesmo muito bem. Trabalho muito, não sinto grande vontade de estar com quem quer que seja, e tenho receio que isso se esteja a tornar um problema maior.

Não queria de todo que este post se tornasse uma página do meu diário ou algo que se pareça, mas acho que estava mesmo a precisar de escrever. Atenção, nem tudo é mau e continuo a ter vários momentos bons, continuo a falar com pessoas, a estar com pessoas (em segurança...... calma Covid), mas nestes momentos de maior reflexão apercebo-me que no meio da minha vida "super feliz" (pelo menos para os outros) estou, na verdade, cansada. Muito, muito cansada.

Planos para 2021? Zero, há alguns anos que deixei de fazer resoluções. A certa altura comecei a escrever alguns objectivos e apercebi-me que simplesmente a vida dá tantas voltas que não vale a pena; mais vale a vida levar-me por aí e deixar-me aí. Até agora não me tem falhado :)

(Mas estou a fazer o SheCodes agora nestas 3 primeiras semanas de Janeiro. É o meu único plano para agora.) 

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