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Dramas de uma paranóica

Dramas de uma paranóica

24
Nov20

A minha vida pouco amorosa

Uma paranóica

Bem sei que ninguém me perguntou absolutamente nada, mas aqui vai um (mísero) update da vida pouco amorosa de uma paranóica:

Ora portanto depois de um fim-de-semana com restrições de circulação entre concelhos, outro fim-de-semana em que ele estava doente (mas sem Covid!) e eu me estava a auto isolar porque uma amiga minha com quem tinha estado estava à espera do resultado do teste (que foi negativo, já agora) e outro fim-de-semana em que estávamos todos confinados a partir das 13h todos os dias, finalmente voltámo-nos a ver a uma sexta-feira.

Eu tinha a tarde e a noite completamente livres porque estava a trocar de turno, ele estava de férias, e portanto aproveitámos para lanchar e passear.

Perguntam vocês: e agora, aconteceu alguma coisa? (Mentira, não perguntam nada mas eu vou responder na mesma:) Não. Não aconteceu absolutamente nada.

Isto para mim já é uma piada recorrente. É daquelas perguntas que surgem naturalmente no grupo de Whatsapp que tenho com as minhas amigas a seguir a cada date; "então, já foi?" e eu lá respondo "não, acreditam que não aconteceu nada?" e lá nos lançamos numa conversa sobre ele ser tímido, ele não saber se eu quero que aconteça alguma coisa, sobre ter de ser eu a tomar a iniciativa, etc.

Atenção, não deixam de ter razão - já podia ter feito alguma coisa há muito tempo; mas agora há um novo problema, uma coisa que não antecipei nestes últimos 2 meses e pouco que temos a passado a conhecer-nos. Sabem, eu acho que perdi interesse.

Isto é terrível. Para contextualizar um pouco, passo a explicar:

Há cerca de 2 meses e qualquer coisa dei match com uma pessoa no Tinder . Sim, o Tinder. Na altura já estava super farta do Tinder e prestes a desinstalar, mas esta pessoa enviou-me uma mensagem super aleatória e eu respondi numa de me entreter a caminho de casa do supermercado (lembro-me como se fosse ontem), pensando que íamos trocar 2 ou 3 mensagens e ia ficar por aí.

Claramente não ficou, porque desde esse dia que falamos diariamente. Trocámos números, trocamos memes e, acima de tudo, stickers no Whatsapp (super importante hahaha); ele envia-me fotos das coisas que cozinha, eu envio-lhe fotos dos meus gatos.

Lá tivemos um date, tivemos dois, três e nada aconteceu. Juro que a certa altura pensei que ele não tivesse interesse (apesar de isso ser ridículo porque ambos moramos em concelhos diferentes e fazemos vários quilómetros apenas para nos vermos e passamos horas juntos) ou que não quisesse, sei lá, avançar para um beijo por causa do Covid (o que é ridículo porque fazemos passeios de carro juntos, sem máscara), mas entretanto cheguei à conclusão que somos mesmo só uns atados. E olhem, tudo bem!

O problema é que desta vez, em que eu tinha dito a mim mesma "é desta", dei por mim a não querer ter o date. Não é que tenha posto sequer em causa se ia ou não ou que tenha tido algum momento de indecisão, mas houve momentos em que dei por mim a pensar "tenho de ir".

Enquanto tivemos o date, foi bom como sempre. Rimo-nos, fomos à praia à noite (que eu adoro) e houve um momento em que podia ter acontecido mas... não sei. Não sei explicar. Parece que olhava para ele e já não via a mesma pessoa. Parece que trocamos mensagens e é sempre a mesma coisa.

Não sei. Não sei se é porque não estou a atravessar a melhor fase da minha vida, não sei se é porque não nos víamos há imenso tempo e isso acabou por fazer com que se perdesse ali qualquer coisa, não sei se é porque não estava realmente interessada e estava só "deslumbrada". Enfim, não sei. Ele sugere-me coisas para fazermos e já não sinto nada.

Por um lado ainda bem que temos novas medidas (ainda) mais restritivas e fico com tempo para pensar no que quero, mas por outro tenho receio de deixar só isto andar, percebem?

Enfim, dramas. O habitual.

15
Nov20

Da inércia

Uma paranóica

Quero escrever mas não sei muito bem o quê. Se calhar posso começar pelo pensamento que tenho sempre presente no meu subconsciente; bem escondido e afastado para uma altura mais conveniente que nunca chega.

Já vai para dois anos que tomei a decisão plenamente consciente de me afastar da minha área de estudos e dedicar-me a start ups. Trabalho em apoio ao cliente; comecei como agente e progredi para team lead (ou, em bom português, supervisora de equipa).

Gosto de gerir pessoas. Não é fácil e tem dias em que só me apetece arrancar os cabelos e fumar 50 cigarros (tem outros em que realmente só me falta mesmo arrancar os cabelos) mas, no geral, gosto. Aliás, quem me conhece sabe que sou 150% dedicada ao meu trabalho, seja em que empresa for, e que só não faço mais quando não posso.

Sou uma workaholic. Sou aquela pessoa que trabalha sempre até tarde e que, mesmo quando não está a trabalhar, tem sempre aquele olhinho no e-mail e no Slack. Pura e simplesmente, não consigo desligar.

Estaria a mentir, no entanto, se dissesse que quero ser team lead para sempre. Não quero. O que eu quero mesmo é gerir projectos.

Há uns tempos comprei uns cursos no Udemy. Ainda envolvem uma quantidade considerável de horas mas no fim tenho algum tipo de certificação e, com a minha experiência, sempre é uma vantagem extra para o futuro. 

Qual é, então, o problema?

O problema é que eu não tenho tempo. Aliás, scratch that, tempo eu tenho mas não tenho motivação.

Seria de pensar que, sei lá, lutar pelo meu futuro seria motivação suficiente, mas a verdade é que eu trabalho tanto que quando finalmente tenho um tempo livre, uma folga, a última coisa que eu quero fazer é estudar.

E atenção, isto é ridículo. Orgulho-me sempre de dizer "ah sim, a minha empresa oferece x dias anuais de formação e se quiser usar tempo de trabalho para fazer estes cursos posso descontar desses dias" mas depois há sempre tanta coisa a acontecer, tanta coisa para fazer (que, por incrível que pareça, não tem nada a ver com gerir pessoas), que simplesmente não tenho tempo do meu dia de trabalho para dedicar a isso e, fora do trabalho, não tenho vontade.

Acho que todo o objectivo deste post é: estou-me a auto sabotar? Estou-me a afundar em trabalho para evitar investir em mim e evitar perceber se, realmente, tenho futuro a fazer outra coisa que não isto?

Pensamentos das 2 da manhã. Típico de uma paranóica.

07
Nov20

Do confinamento voluntário

Uma paranóica

Em Março, quando a pandemia realmente bateu, aderi muito facilmente ao confinamento voluntário. Introvertida sempre fui, caseira ainda mais, e por muito que me fosse custar perder todo o elemento social que associava ao meu trabalho, tive sorte em poder dizer que o confinamento não me afectou tanto quanto afectou pessoas que realmente sofrem com a falta de interacção.

Claro que tinha uma facilidade: dividia casa com um amigo (esta história acabou muito mal, mas fica para outro post) e tinha a sorte de morar na mesma cidade que a minha família, portanto falava com eles muitas vezes pela janela do meu quarto (morava num rés-do-chão).

Quando o desconfinamento começou, resisti. Achei que era cedo demais, via toda a gente a agir com toda uma naturalidade que, para mim, já era estranha. Era como se estivéssemos a fazer a nossa vida normal, mas com uma máscara.

Uns meses depois, já aderi obviamente ao desconfinamento mas mantendo sempre todas as regras de higiene e segurança e, agora que moro sozinha (vá, com 2 gatos), estou num trabalho novo (semi, já passaram 5 meses) e vem aí novo estado de emergência, confesso que estou a ter alguma dificuldade a adaptar-me a novo isolamento.

Ora bem: eu passei o fim-de-semana passado com uma das minhas melhores amigas que não via desde Agosto. Estávamos descansadas, afinal tínhamos andado sempre a cumprir tudo certinho, mas no último dia em que estivemos juntas ela descobriu que uma rapariga do trabalho dela com quem ela tinha tido contacto testou positivo para o vírus.

Isto significa que, desde terça à noite, que estou em isolamento voluntário (porque, na verdade, não precisava de o fazer e poderia prosseguir com a minha vida normal) enquanto espero pelo resultado do teste dela. Só se passaram uns míseros 3 dias mas está-me a afectar mais do que estava à espera. Sinto-me sozinha, frustrada, nem uma corrida posso ir dar, não posso ir ao supermercado, nada. Estou ansiosa pelo resultado, ansiosa por quem possamos ter infectado sem saber e, estupidamente, ansiosa pelo novo estado de emergência que aí vem e as medidas que possam eventualmente vir a ser aplicadas.

Ok, vou ser sincera: é que em plena pandemia eu conheci uma pessoa. Não moramos, nem de perto nem de longe, no mesmo concelho, tivemos uns 4 (ou 5? não sei já) dates, não aconteceu nada e, agora que ia finalmente acontecer (confiem, ia mesmo ok?), ele está doente (não, não é Covid), eu estou a isolar-me, e vai entrar novo estado de emergência portanto sei lá quando o volto a ver.

Uma vozinha na minha cabeça diz-me que vamos só acabar por nos esquecer um do outro, não vamos querer esperar um pelo outro - não é que haja muito mais hipótese de conhecer outras pessoas, mas a paranóica ansiosa não é racional - e, acima de tudo, eles acabam sempre por perder interesse, não é? O que é que me faz achar que ele pode ser diferente?

Este post foi ligeiramente mais dramático do que eu estava à espera mas a vida às vezes é assim - às vezes simplesmente não conseguimos fingir que estamos bem quando não estamos.

05
Nov20

Quem é uma paranóica?

Uma paranóica

Sempre tive blogs. Desde que me lembro de ser autónoma e de, pronto, existir a Internet, que sempre sempre sempre tive um blog. Aliás, vamos voltar um pouco atrás. O que eu sempre gostei foi de escrever. Sim, a paranóica de há uns bons 10 (ou mais, até) anos atrás gostava mesmo era de escrever e entreteve, em tempos muito idos, a ideia - o sonho - de um dia ser escritora, tal J. K. Rowling do mundo moderno.

Mas enfim, a vida não acontece da forma que o nosso eu de 10, 12, 15, 17? anos idealiza. Não, a paranóica cresceu, foi estudar Direito, e depois de ter uma licenciatura e uma pós-graduação "debaixo do cinto" e enquanto supostamente escrevia a sua tese de mestrado, revoltou-se e foi trabalhar para uma start up porque queria uma coisa "mais dinâmica". "Logo volto ao Direito e acabo a tese," disse ela. Mas nunca voltou.

Eu sou uma paranóica e este é o meu blog.

Tenho 27 anos, moro na famosa Margem Sul e, como (quase) toda a gente deste mundo, estou em isolamento. Não é que me chateie - sou uma pessoa super introvertida e qualquer desculpa para estar enfiada em casa a ver séries ou a jogar é tão boa como qualquer outra. 

Mas enfim, é como se diz: "não mata mas mói", e estando já desde Março a trabalhar a partir de casa, a viver completamente sozinha (vá, tenho dois gatos) e longe (salvo seja) da maior parte das minhas amizades, a iminência de um novo estado de emergência e novo isolamento começa-me a incomodar. Portanto... decidi escrever.

Ok, na verdade eu já tinha criado outro blog há poucos meses e escrevi lá tudo sobre os meus 30 dias de yoga e isto e aquilo mas não era divertido, por isso apaguei-o.

Pensei em voltar a fazer outro blog, queria muito escrever o que me passava pela cabeça, mas simplesmente nunca aconteceu. Entretanto vi-me no meio de um dilema que me deu o empurrão final: a pessoa com quem ando a sair (meh, ando... mais ou menos, vá) segue-me no Twitter. No Twitter!!

Para esclarecer: o Twitter para mim é aquela rede social em que eu digo tudo e mais alguma coisa porque praticamente ninguém da "vida real" me segue lá e tem Twitter. Imaginem quando queria mandar bitaites sobre os nossos dates e pensava "ai espera lá que ele assim vai ver" e comecei a sentir-me..... inibida, vá.

Portanto, criei um blog.

Caso o meu nome não seja elucidativo o suficiente, eu sou muito dramática e muito paranóica. Se uma pessoa me diz "bom dia" mas diz de uma maneira diferente eu já estou a pensar em 1500 cenários na minha cabeça e 7553 cenas à filme. São coisas tão, mas tão parvas, que eu sinceramente preciso de as escrever nalgum lado antes que dê em doida. So here we are!

Agora aguentem-me.

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